domingo, 16 de fevereiro de 2014

Hook x Sawyer x Solo: anti-heróis à procura de redenção



(Esse texto possui SPOILERS de Once Upon a Time, Star Wars e Lost.)

Há um tempo atrás, andei conversando com uma amiga sobre o Hook, de Once Upon A Time. Minha amiga não gosta do personagem, tentou me explicar o porquê, mas confesso que não entendi bem os motivos. E tentei defende-lo, tanto suas fraquezas quanto sua personalidade.  Mas ainda ela não se convenceu. Pensando nisso dias depois, eu acabei o comparando com dois emblemáticos anti-heróis da TV e do cinema, respectivamente: James “Sawyer” Ford, de Lost; e Han Solo, da saga Star Wars.

Não estou aqui tentando convencê-la novamente. Apenas achei curiosa a semelhança entre personagens tão diferentes, de épocas e de lugares tão diferentes, mas ao mesmo tempo com a mesma atitude quando se refere ao algo maior que seu egoísmo e individualidade.

Primeiro, vou destrinchar os personagens, e depois fazer um paralelo sobre as semelhanças de atitude e depois do que fizeram nas situações que se encaixaram.

Vamos começar com Hook, ou Capitão Gancho, de Once Upon a Time. Hook é feito pelo ator irlandês Colin O’Donoghue. Tem 32 anos, cabelos pretíssimos e olhos azuis desconcertantes. Quando assisti ao filme “O Ritual”, quase não o reconheci. Na série, Colin usa lápis de olho, uma eterna barba por fazer e roupas de couro. E claro, um gancho. E como tudo em Once Upon a Time, a história de Hook é bem diferente da historia de J.M. Barrie. Hook tenta se vingar do homem que matou sua amada: o ex-marido dela, que tratou tudo como uma questão de defesa da honra. E Hook passa 300 anos tentando matar “seu crocodilo”.

O próximo é Sawyer, da extinta e saudosa série Lost, que é aquele brucutu em forma de homem loiro e perfeito, feito por Josh Holloway (um dos 10 homens mais sexy do mundo pela revista People em 2005). Ele também é movido pela vingança: matar o homem, o verdadeiro Sawyer, que fez uma trapaça com seu pai, que antes de se matar, matou a mãe. James Ford – nome verdadeiro - cresceu sem os pais e se tornou o homem que ele odiava, aplicando golpes, até mesmo a trapaça que o verdadeiro Sawyer praticou com seus pais.

E por último, Han Solo de Star Wars, quem Sawyer – como os próprios produtores disseram – foi baseado. Harrison Ford, em inicio de carreira, mostrando a que veio e virando celebridade instantânea (apesar da descrença da mídia em relação ao 1º filme). Solo é um contrabandista, um mercenário. Ele é dono da sucata mais rápida da galáxia e tem um ‘Tapete’ como melhor amigo. Ele entra na historia de Star Wars aceitando o trabalho – remunerado, claro – em levar dois tripulantes e dois dróides até Alderran. Solo tem uma divida com um credor, quem o caça até o fim. E nesse meio tempo, se vê envolvido na batalha entre a República e o Império, sem saber se luta ou não.

Os três personagens não tem como ser mais parecidos. Um é do universo de contos de fadas, outro é um terráqueo e o terceiro vive em outro planeta. Mas os três tem o ponto em comum de lutar por um bem comum.  Mas há outro ponto também: a máscara. A fuga. Só assim ninguém sabe quem ele é de verdade. Assim ninguém pode saber sua fraqueza. Nem tirar vantagem dele.

Os três são lindos homens, com um grande apelo sexual, usando isso como arma. São o que chamam de “ladies’s man”, o mulherengo. Aquele que sorri, flerta e elogia. As vezes para conseguir algo, as vezes para causar uma impressão. Nem sempre funciona, mas não há ninguém que não seja atingido.

Outro ponto em comum é a inteligência e arrogância. Os três são afiados e grandes jogadores. São focados e não medem esforços para terem o que quer.  Hook, por exemplo, se aliou aos vilões, deu um tiro em uma inocente, fez escolhas erradas e não entende porque ninguém confia nele. Quando sua máscara cai, ele automaticamente a põe de volta. A justiça (pelo menos na cabeça dele) tem um preço: a solidão. Ninguém compreende o que ele sente. E ele não deixa ninguém compreender. Ele só deixa transparecer a revolta, a vingança. Usa a astúcia que adquiriu em seus 300 anos para seguir infinitamente na sua tentativa e erro.

O mesmo acontece com Sawyer, que se viu obrigado a viver numa comunidade em que a melhor alternativa de sobreviver, era o companheirismo. Ele também usava a máscara: os sorrisos, as cantadas, as piadas, os apelidos. Sawyer era culto, inteligente, ousado, e feroz. Não se importava com nada e era capaz de tirar Yoda do sério. Ele era grosso, chato, e mal-humorado. Parecia um garotinho que ouviu um não permanente da mãe. Ele mentiu, sacaneou, escondeu comida, inventou historias, se recusava a ajudar (a não ser em troca de beijos da Kate) e apanhava de todo mundo na série. Mas a ilha de Lost se tornava um lugar terrível conforme o tempo passava. Sawyer viu que a marra não ajudava sua própria situação ali e sua máscara começou a cair.

Solo, por outro lado, era um bonachão. Sabe-se que ele era órfão, apanhou horrores na sua infância, chegou a ser Tenente Imperial, e que seu coração o impediu de continuar ás ordens do Império. Sua personalidade não mudou conforme a trilogia original passava. Um cara prático, materialista, um canalha – nas palavras da heroína Leia Organa - não respeita regras, atua no submundo, faz trapaças, mas ele em nenhum momento mata um inocente por capricho.  Ele entra na historia como um mercenário, a principio só o transporte dos heróis da saga, mas novamente seu coração o trai.  Novamente ele vai contra o Império. Ele vira herói, e ganha o coração da mocinha no final.  


Outro ponto importante para os anti-heróis: pelo o que lutar.  Hook consegue uma vitória pequena contra seu crocodilo, o que apenas o faz cair de joelhos diante de outro objetivo: a mocinha da história. Ele deixa claro isso, e sua motivação o faz correr riscos, aqueles que ele jurou nunca mais correr. Vemos essa determinação nos olhos de Sawyer, e também nos olhos de Solo. O bem comum para atingir o coração da amada. Suas máscaras caem e esconder isso não é uma tarefa fácil, quando se quer que ela veja a verdade. 

Adoro esse tipo de exploração de conflitos em personagens assim, o fator que os levou a possuir esta personalidade e as consequências do caminho que ele escolheu. Como eu disse, quase sempre este comportamento é apenas uma máscara para esconder uma dor profunda. As pessoas são assim, tem seus conflitos internos, suas culpas e fantasmas, quando você acrescenta isso em um personagem o torna mais humano.

Os anti-heróis, que por não seguirem um padrão idealizado de perfeição no comportamento, muitas vezes acabam sendo mais interessantes que os heróis comuns.


E então, há alguém anti-herói que se encaixa nesse padrão?

3 comentários:

  1. Cara, adorei esse texto o.o
    Não sou de ler resenhas e análises com frequência, mas me chamou a atenção por ser sobre três personagens de quem gosto tanto (principalmente Sawyer e Hook) e adorei as comparações feitas.
    Sou realmente doida por esses caras e adorei o texto!

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  2. Então... depois do mimimi na divulgação do texto, eu pensei em não ler, também pelo tema abordado. uashuashuashuasha.... Mas, qual não foi a minha surpresa ao descobrir que sou citada no texto e que a minha discussão sobre Hook te levaria a produzir um texto tão legal. Gostei muito também.

    Mas, continuo não gostando do Hook. E eu acho que talvez eu nunca venha a gostar dele em OUAT. Pra mim ele é indiferente na série. Repito, quando divulgaram que ele apareceria eu esperava mais um vilão dos bons, pra quebrar o pau com Regina e Gold. Daí ele se mostrou o tipo de cara que eu desprezo, que tenho nojo. E depois, de vilão ou anti-herói se tornou um cachorrinho lutando pra ser aceito no grupo dos bonzinhos e conquistar a manda chuva da cidade. Enfim... não me agrada. (e o fator beleza não tem a ver com isso, ok?).

    Não vejo todos esses conflitos no personagem, pq afinal, não acho que ele tenha vivido tantos sofrimentos, perdas e conflitos na sua juventude que o levaram a se tornar quem o anti-herói das máscaras. Minha leitura é de que ele perdeu o sentido da vida e tocou o botão do foda-se, pilhando, matando e roubando sem se importar com nada. Ele só era um cara idiota que fazia qq coisa por ser idiota. Se tivessem mostrado mais sua jornada em busca de vingança, algumas frustrações e mágoas novas pelo fato de não conseguir se vingar, etc... daí teria acrescentado mais carga emocional no personagem. Ele simplesmente encontra o crocodilo, tenta se vingar, não consegue e depois desencana, troca seu foco, seu objetivo de vida. Daí pra frente só passa a pensar com a cabeça de baixo. E como disse, detesto caras assim.

    Bem, mas essa é a minha leitura.

    Dos outros personagens não vou falar pq não conheço da história deles.

    Mas, o texto ficou muito legal sim.

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